Começo este post sem saber onde está a ponta da meada. Começo porque sinto necessidade de escrever, perdida nas palavras porque me sinto de tal forma nelas, repetindo tudo o que já disse, já fiz e já pensei e voltei a abraçar.
Procuro em vão encontrar as pontas e apenas encontro uma… estou com dificuldade em descobrir o que vem a seguir.
Começo então, pelas palavras que gritam bem alto desse cantinho a que chamo coração…
a minha camada mais que perfeita!!!
A minha camada mais que perfeita é uma pessoa muito, mas muito especial, com quem partilho cafezinhos, jantares a duas e a seis, os meus e os dela, telefonemas em “formato de amizade” (palavras dela) telefonemas em formato de pura tagarelice, telefonemas em formato de quem conta o que tem para contar e o que não tem, só o prazer de se saber lá.
Pela minha camada mais que perfeita eu dou tudo o que tenho de mim para dar. Falo-ia (acho que esta palavra está errada, não tenho a certeza, mas neste momento não me apetece preocupar demasiado com isso), falo-ia, dizia eu, por mais uma ou duas amigas, não muitas, que as verdadeiras, mas verdadeiras são poucas. Pelas outras camadas que ocupam o meu coração sei que o faria também, provavelmente da mesma forma, mas não com a mesma intensidade.
Com a minha camada mais que perfeita partilho lágrimas, as dela, as minhas, partilho sorrisos, partilho a vida, porque deixei de saber onde começo eu e onde começa ela. A certa altura passamos a ser uma só.
Ela é a minha irmã quando preciso de uma confidente, é a minha mãe quando preciso de colo e é a minha filha quando ela precisa de colo…
É a minha companheira dos maduros, das lambretas, da música, das noitadas, das borgas, da animação, da chegada a casa, da mariza, vezes sem conta a noite toda, até já só ser a “chuva”, mil vezes tocada, até à manhã alta que se segue, acordada no sofá de uma noite repleta de sentimentos, de copos e de vida. Do out to get you dos james, mil vezes saboreado. É a cama dividida, a escova de dentes em duplicado na casa de banho. É o tabaco que já não sei de quem é. São as horas que passamos todos os dias ao telefone…manhã, tarde e noite. É literalmente o que não é meu nem dela, porque é nosso.
Partilhamos dores, dividimos lágrimas, duplicamos alegrias… partilhamos a vida!!! sei que me repito, mas não encontro outras palavras dentro de mim.
Por ela eu vou ao fim do mundo buscar um girassol e ela por mim dá a volta ao mundo para me trazer um
muguet…sei isso porque já o fez, sei isso porque já o fiz…
Ser Amigo, mas Amigo de verdade é dar o que de mais precioso existe cá dentro.
Por isso neste momento eu escolho dar a minha distância.
Ser amigo é sentir necessidade de estar presente, de ajudar, de existir apenas.
Por isso neste momento eu afasto-me. Escolho existir apenas. Dou espaço. Não a ela, nunca!!! Não à nossa amizade que vale ouro para mim e para ela.
Dou espaço aos outros amigos, para que o possam ser. Para que possam partilhar as dores, para que se possam saber presentes. Para que possam ser amigos.
Ser amigo é também abandonar, é sair. Porque amigo sabe que nunca sai, que nunca abandona. Amigo sabe que está sempre presente.
Lembro-me daquela lenda do rei Salomão (?) junto de quem duas mulheres chegaram exigindo saber quem ficava com o filho que ambas reclamavam como seu. O rei propôs dividir a criança ao meio…e a que amava disse, nunca!!! Partido em mil pedaços nunca!! Porque o amo tanto prefiro abdicar...
Sinto essa história em mim…porque te amo tanto prefiro abdicar…dar espaço. Eu estou cá, nunca vou deixar de existir, nunca vou deixar de te perguntar se queres que logo vá buscar os teus, nem tu me vais deixar de dizer a que horas te telefono a acordar amanhã. Sei que há coisas que nunca vão desaparecer, porque já nascemos assim, tu e eu. Não há coincidências.
Escrevo este texto como quem pensa e fala numa conversa. Poderá parecer um pouco confuso. Já não sei para quem é, se para vocês, se para ti, ou se para mim. Escrevo porque tenho de escrever. Tenho de libertar as palavras que me sufocam pela dor, pela, tua, pela nossa. Escrevo, gritanto o quanto gosto de ti. O quanto és importante para mim. O quanto me pegaste ao colo naquela altura em que pegadas na areia eram só umas. O quanto eu peguei em ti ao colo… Escrevo…mas não chega. Vou passear. Vou até ao mar, soltar, gritar, murmurar, embalar.
Afastar dói tanto………………….doi tanto!!!
O coração é feito de camadas, onde nenhuma ocupa o espaço da outra...porque todas elas têm o seu próprio...
As camadas são assim, sobrepõem-se, encaixam umas nas outras, sem ocupar lugares de cima ou de baixo, porque o coração não tem parte de cima. Cada uma tem o seu espaço e por maior que seja não tira tamanho às outras. A amizade é assim. Por maior que seja não diminui nenhuma outra. Cada uma tem o espaço que conquista, que ocupa dentro do meu coração. São as minhas camadas. São as minhas camadas mais que perfeitas…
O coração é feito de camadas… e eu amo as minhas camadas!!!
Ps- pensava um dia escrever um post bonito sobre o que são as camadas do coração. Pensava fazer uma coisa bonita, que explicasse o que eu entendo sobre a amizade. Explicar esta minha teoria do coração ter várias camadas… Foi agora, foi este o momento em que precisei de gritar…as minhas camadas. Não saiu bonito como eu desejava, não saiu simples como eu gostava. Saiu sozinho, sem ordens e sem nexos, apenas carregado de sentires, mil vezes mil sentires…os teus e os meus.
A dor dividida, a alegria duplicada… o valor de partilhar a Vida… o valor da Amizade.
OURO!!!!!
Quanto vale a
AMIZADE???
Beijo…sabor a abraço forte, fortíssimo, apertado contra o coração, o meu, o teu.